Apesar de todas as mudanças já ocorridas nos papéis da paternidade, ainda há muito que precisa ser modificado. Será que esses pais têm consciência de quais são os impactos desse abandono nas crianças?
A mudança no papel do pai
Historicamente, o pai desempenhou uma função basicamente educadora e disciplinadora segundo códigos rígidos e repressivos. A interação entre pai e filho era reduzida, particularmente nos primeiros anos de vida, bem como a sua participação nos cuidados diários ao longo da infância.
Marques {ref. bibl.} relata que, depois da II Guerra Mundial, em consequência das alterações profundas que se deu na sociedade ocidental (como os pais empregados, a composição da família nuclear e as dificuldades econômicas), o pai tornou-se cada vez mais participativo. Outro fator que contribuiu para a modificação no papel paterno foi o número cada vez maior de mulheres ingressando no mercado de trabalho, possibilitando novos arranjos familiares e a significativa mudança nas relações entre homens e mulheres, como a separação entre papéis conjugais e papéis parentais.
O papel do pai na sociedade tem se transformado, sobretudo, nas últimas décadas. De fato, a "condição" de pai evoluiu devido às transformações culturais, sociais e familiares, passando pela fase em que os filhos eram propriedades do pai (com as mães quase sem direitos) e pela fase em que o pai era apenas o suporte financeiro da família.
Hoje em dia o pai divide com a mulher as tarefas domésticas, vai às reuniões da escola, leva os filhos ao pediatra, ao dentista, às aulas de natação ou ainda, fica em casa quando os filhos estão doentes. Este novo pai, cada vez mais, tem participado nas atividades lúdicas da criança. Pode-se considerar que sua presença na vida de um filho é tão fundamental quanto à presença da mãe.
A ausência paterna – o que significa?
Quanto menor a criança, maior a necessidade de cuidado. Porém, quando esse espaço é marcado pela ausência, o menor se torna mais vulnerável. O pai precisa dispor de um tempo efetivo para o filho. Esse tempo de intimidade é essencial para criar um vinculo e dar parâmetros de comportamento a criança. Somente a partir da década de 50, em resultado de progressos no domínio perinatal, que vários investigadores têm se debruçado sobre o papel do pai na vida do bebê, sobre a relação pai e filho e o processo de vinculação. A ausência paterna pode trazer não apenas consequências psicológicas para a criança, como também, deixar marcas na sua vida adulta.
O amor paterno é uma das grandes influencias para a formação da personalidade da criança. O pai precisa ter consciência de quanto é necessário para a vida do seu filho ter um modelo masculino presente no seu dia-a-dia, principalmente nos seus primeiros estágios de vida.
O vazio promovido pela ausência do pai, segundo Ferrari {ref. bibl.}, é formado pela noção das crianças de não serem amadas pelo genitor que está ausente, com uma grande desvalorização de si mesmas em consequência disso. Além dessa autodesvalorização, ocorrem os sentimentos de culpa por a criança se achar má, por acreditar haver provocado a separação e até por ter nascido. A criança pensa ser má também por ter sido deixada. O autor coloca que isso pode gerar reações variadas, desde tristeza e melancolia até agressividade e violência. As crianças mais tímidas e temerosas do mundo exterior se fecham em si mesmos, e as extrovertidas e temerosas do mundo interior, de sua história, se vingam no mundo com condutas antissociais.
Gai {ref. bibl.} afirma que a intervenção do pai seja cada vez mais precoce, inclusive desde o momento do nascimento, onde a sua presença parece aumentar o interesse e o envolvimento posterior com a criança.
A tendência do momento é: A presença paterna!
A figura paterna tende a estar cada vez mais próxima de seus filhos. Hoje em dia, estão mais participativos e compartilhando vários aspectos da vida de suas crianças, tanto do ponto de vista emocional, social, quanto cognitivo.
Como vimos, ainda existem muitos pais que não estão ocupando este lugar, seja por não desejarem ou por acreditarem que não são necessários. Por outro lado, há também muitas mães que não concedem este direito ao pai.
Dessa forma cabe aos profissionais de proteção a família, juntamente com educadores e psicólogos a difícil missão de orientar não só os pais, como as mães que evitam esse contato da criança com o pai no sentido da real importância da função paterna no psiquismo infantil e do seu impacto no desenvolvimento cognitivo, social e emocional de seus filhos.
Texto de Camila Brunelli, Psicóloga atuante no CRAS de Bonito-BA | Fonte: www.dialogopsi.com.br











